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terça-feira, 26 de julho de 2011

Aveiro - 3º Congresso da Oposição Democrática

Estas são algumas imagens do 3º Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro de 4 a 8 de Abril de 1973, e à carga policial feita, na altura, pela Polícia de Choque, sobre apoiantes da Oposição Democrática que se manifestavam pacificamente na Avenida Dr. Lourenço Peixinho.


O Dr. Álvaro Seiça Neves na abertura do Congresso



Aspecto da assistência numa das sessões do Congresso


Início da manifestação


A polícia de choque inicia a carga


Aspecto da manifestação. Em primeiro plano, dois agentes da PSP assistem sem intervir


A polícia de choque em plena carga


Outro aspecto da repressão policial


Carga da polícia de choque com bastões



Nota: as imagens acima foram recolhidas na Internet







sábado, 12 de março de 2011

O Convento de Sá e o Quartel de Sá

1880 - Panorama de cima da capela do Senhor das Barrocas. Ao fundo, com uma seta, é assinalado o Convento de Sá, destruído por um incêndio em 1882 (Foto do catálogo da exposição de António Graça realizada em Outubro de 1984. Edição da CMA)


O Quartel de Sá (na altura, de Cavalaria 10) em princípios do séc. XX, vendo-se o fontanário que aí existia

Render da guarda na porta de armas (1947)

Rua de Sá: pelotão a marchar para o quartel (1953)

Prova do rancho, no quartel de Sá (1948)




Fotografias aéreas do Quartel de Sá (sem data)



Notas à margem


* No local onde se encontra, ainda hoje, o Quartel de Sá, existiu, até meados da década de 1880, um convento, vulgarmente conhecido como Convento de Sá.


* Tratava-se do convento da Madre de Deus, de religiosas franciscanas, criado em 1644. Segundo Marques Gomes ("Memórias de Aveiro"), as primeiras religiosas, vindas do Convento de Nossa Senhora do Loreto, da vila de Almeida, chegaram a Aveiro a 22 de Junho de 1644, tendo ficado hospedadas no palácio de D. Beatriz de Lara e Menezes, certamente por o convento não estar ainda totalmente concluído. Ainda segundo Marques Gomes, e também Rangel de Quadros ("Aveiro - Apontamentos Históricos"), só a 2 de Agosto do mesmo ano as religiosas entraram solenemente no Convento da Madre de Deus, em Sá.


* Em 1882, na noite de 11 para 12 de Janeiro, uma grande parte do convento foi destruída por um incêndio (Rangel de Quadros, obra citada).


* Refira-se, como curiosidade relacionada com este incêndio, que, segundo se pode ler no site dos Bombeiros "Velhos", esta corporação nasceu na sequência do referido incêndio, que alarmou a cidade e "que fez com que o presidente da Câmara, Manuel Firmino, constituisse aquela que viria a ser a primeira corporação de bombeiros do município e que esteve na génese da actual Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Aveiro, mais conhecidos por Bombeiros Velhos." Segundo o mesmo site, a designação "Bombeiros Velhos" ficou a dever-se ao facto de, em 1900, se ter verificado uma cisão entre os bombeiros, tendo passado a existir, desde então, duas corporações: uma era a nova, a outra, a que vinha da origem, a velha.

* Em fins de 1884, o edifício do Convento da Madre de Deus, com a cerca anexa, foi cedido à Câmara Municipal de Aveiro, para aí se construir um quartel militar (Rangel de Quadros, obra citada). Recorde-se que, por decreto governamental de Maio de 1834, da responsabilidade do então ministro da justiça, Joaquim António de Aguiar (o "Mata Frades") foram extintas, com efeitos imediatos, todas as ordens religiosas masculinas, não podendo as femininas admitir novos membros, até à sua extinção por morte da última religiosa. É curioso que, no caso do Convento da Madre de Deus, a extinção (por despacho de 7 de Fevereiro de 1885, do então ministro da justiça) é anterior à morte da última religiosa, Madre Ana Benedita de S. Miguel, que deixou o convento a 17 de Março desse ano, sendo-lhe atribuída uma pensão mensal de 50.000 réis (Rangel de Quadros, obra citada). Segundo este mesmo autor, a referida religiosa, acompanhada por duas senhoras recolhidas no convento, partiu, "em carros faldados e puxados por bois", para Fermelã, onde ficou a viver até à sua morte, em 1889.


* Logo no ano de 1885, dá-se início à construção do quartel, que só viria a ficar concluído em 1888. Todavia, segundo Marques Gomes ("Subsídios para a História de Aveiro"), o Regimento de Cavalaria 10 chegou a Aveiro, de comboio, logo em Janeiro de 1885, ficando "provisoriamente instalado no edifício do extinto Convento de Santo António, por não estar ainda o quartel de Sá em condições de o alojar". Só em 8 de Setembro de 1888 (segundo o periódico "O Povo de Aveiro") é que o Regimento de Cavalaria 10 mudou para o quartel de Sá.


* Segundo Manuel Ferreira Rodrigues ("A Construção Civil em Aveiro, 1860 - 1930"), na "construção do Quartel de Cavalaria 10, em 1885, a par do granito e do grés duro de Eirol, foi também utilizado xisto de Canelas. O granito utilizado na construção do quartel veio da região de Albergaria-a-Velha."



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Vouga: o Rio Velho e o Rio Novo do Príncipe

Mapa do troço final do Vouga, a partir de Cacia. No seu curso primitivo (rio velho), o Vouga ia desaguar na ria junto ao Bico da Murtosa. Depois da abertura do Rio Novo do Príncipe, a foz passou a ser na Cale do Espinheiro

Zona lagunar junto ao curso do rio velho. Ao fundo, casario da Murtosa
(Jorge Cunha, 2011)

O rio velho na zona lagunar
(Jorge Cunha, 2011)

O rio velho no começo da zona lagunar
(Jorge Cunha, 2011)

O rio velho, pouco depois do seu início
(Jorge Cunha, 2011)

Início do troço do Vouga designado por rio velho desde a abertura do canal do Rio Novo do Príncipe
(Jorge Cunha, 2011)

A ponte nova de Sarrazola, que substituiu a velha ponte do Outeiro
(Jorge Cunha, 2011)

A ponte do Outeiro, em Sarrazola, já desactivada
(Jorge Cunha, 2011)
Lápide alusiva à inauguração da ponte do Outeiro, em Sarrazola
(Jorge Cunha, 2011)

A ponte do Outeiro, em Sarrazola, construída em 1973 e já desactivada
(Jorge Cunha, 2011)
Murçainho (Sarrazola): restos de um muro de suporte (talvez de cerca de 1920) onde existiu um embarcadouro utilizado pelos barcos que, em tempos idos, subiam e desciam o Vouga com mercadorias. É visível a utilização do grés vermelho de Eirol
(Jorge Cunha, 2011)

A partir do sítio do Murçainho (Sarrazola), o Vouga passa a ter dois cursos: o Rio Novo do Príncipe (para a esquerda, na foto) e o rio velho (em frente)
(Jorge Cunha, 2011)

O Vouga no sítio do Murçainho (Sarrazola).
Em frente, o Rio Novo do Príncipe, para a direita o rio velho
(Jorge Cunha, 2011)

O Vouga no sítio do Murçainho (Sarrazola). Ao fundo, a ponte velha e a ponte nova de Sarrazola
(Jorge Cunha, 2011)

O Rio Novo do Príncipe a jusante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

O Rio Novo do Príncipe a jusante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

O Rio Novo do Príncipe a jusante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

O Rio Novo do Príncipe a jusante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

O rio Novo do Príncipe a jusante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

O Rio Novo do Príncipe a jusante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

O Rio Novo do Príncipe a montante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

Prova de shell de oito na pista náutica do Rio Novo do Príncipe
(Autor desconhecido. Sem data, mas talvez da década de 1950)


Notas à margem

* O chamado Rio Novo do Príncipe, troço final do curso do rio Vouga, é um canal artificial que veio substituir o curso primitivo do rio. Começa no sítio do Murçainho, em Sarrazola, freguesia de Cacia, e termina na Cale do Espinheiro, na ria de Aveiro.
* O nome de Rio Novo do Príncipe tem duas razões: "rio novo" porque, naturalmente, se trata de um curso novo para o Vouga na sua parte final; "do príncipe" porque a abertura do canal se ficou a dever ao então príncipe regente D. João, futuro D. João VI.

* O facto de se falar de um "rio novo" pressupõe, como é evidente, a existência de um "rio velho", que era o curso primitivo do Vouga, mais estreito e sinuoso, a partir do sítio do Murçainho, em Sarrazola, até perto do Bico da Murtosa, onde era, antigamente, a foz.

* Segundo refere Bartolomeu Conde no seu opúsculo "O Rio Novo do Príncipe. Causas e Vantagens da sua Construção em 1815", o canal tem uma extensão aproximada de cinco quilómetros. Tem, no seu início, uma largura de sessenta e dois metros, que se mantém por uns três quilómetros, praticamente sempre em linha recta, estreitando depois um pouco, até desembocar na Cale do Espinheiro, onde apresenta uma largura de cerca de cento e vinte metros. É aqui, desde a construção do canal, a foz do rio Vouga.

* A abertura do canal do Rio Novo do Príncipe foi iniciada em 1813 e concluída em Dezembro de 1815. A direcção das obras esteve a cargo do engenheiro militar Luís Gomes de Carvalho, que foi também o principal responsável pelas obras de abertura da barra nova de Aveiro, terminadas em 1808. Na abertura do canal foi gasta a importância de 12.468$604 réis.

* A abertura do Rio Novo do Príncipe (1815) é, pois, pouco posterior à abertura da barra nova de Aveiro (1808). Ambas as obras, decididas pelo futuro D. João VI com base em pedidos e reclamações feitos quer pelas populações, quer por autoridades locais, tiveram como objectivos essenciais tornar as áreas vizinhas da zona lagunar menos insalubres e desenvolver as actividades produtivas e económicas locais, fortemente afectadas pelo fechamento cíclico da barra e pela acumulação das águas do Vouga, sobretudo em épocas de caudais mais fortes, o que transformava toda a zona lagunar num autêntico "charco".

* A abertura da barra nova, só por si, trouxe grandes benefícios não só à cidade de Aveiro, mas também a toda a zona lagunar, em virtude de ter feito baixar o nível da água da laguna e de ter posto fim à sua estagnação. Apesar disso, as terras do Baixo Vouga continuavam frequentemente sujeitas a inundações pelo facto de o leito do Vouga, na sua parte final (o hoje chamado rio velho), ser estreito e sinuoso, não dando vazão aos caudais de maior dimensão. Daí o ter-se sentido a necessidade de criar um canal artificial que permitisse um mais rápido e fácil escoamento das águas do Vouga. Assim nasceu o Rio Novo do Príncipe.

* Na década de 1940, as equipas de remo do Clube dos Galitos começaram a ganhar projecção nacional e internacional, tendo, inclusivamente, a equipa de "shell de oito" representado Portugal nos XIV Jogos Olímpicos, na Grã-Bretanha, tendo chegado às meias-finais, onde foi derrotada pela Noruega. Este período áureo do remo dos Galitos veio a ter influência decisiva na concretização de uma aspiração dos aveirenses: a criação de uma pista náutica, o que veio a suceder no início da década de 1950, quando o Rio Novo do Príncipe foi dotado de uma pista náutica, tendo-se aí disputado, em 25 e 26 de Julho de 1953, os Campeonatos Nacionais de Remo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O tempo do sal




















Descarga de sal no Canal de S. Roque

Carregamento do sal em vagões, no ramal ferroviário que ligava a estação de Aveiro ao Canal de S. Roque

Todas as fotografias (com excepção da primeira, cuja origem desconheço) pertencem à "Colecção Carvalhinho", nome por que era conhecido em Aveiro o seu autor, Américo Carvalho da Silva (1908-1980)