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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Eirol: a ponte da Rata e o grés vermelho

A ponte da Rata na década de 1990, altura em que estava já desactivada. À esquerda, é visível uma pequena parte do tabuleiro da nova ponte.

(Foto: Jorge Cunha)


A ponte, em finais da mesma década, sendo evidentes os sinais de ruína e de colapso eminente

(Foto: Jorge Cunha. 1998)


O rio Águeda, no local onde existia a ponte da Rata

(Foto: Jorge Cunha. Fev. 2010)


Restos de uma antiga pedreira de grés vermelho, em Eirol, junto à linha do Vale do Vouga

(Foto: Jorge Cunha. Fev. 2010)


Talude de grés vermelho, perto da estação de Eirol

(Foto: Jorge Cunha. Fev. 2010)


Túnel à saída da estação de Eirol, sendo perfeitamente visíveis os blocos de grés vermelho usados na sua construção

(Foto: Jorge Cunha. Fev. 2010)

Parede de casa antiga, em Eirol, construída com grés vermelho

(Foto: Jorge Cunha. Fev. 2010)



Notas à margem

* Em Julho de 1855, o então governador civil de Aveiro, Antero Albano da Silva Pinto, anuncia, em sessão da Junta Geral do Distrito, que o Engenheiro Director das Obras Públicas, cumprindo as deliberações da Junta tomadas em sessão ordinária do ano anterior, apresentara um relatório com os orçamentos, projectos e plantas para a construção ou reforma de várias pontes no distrito, entre elas a ponte da Rata.
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"
* No entanto, só em Agosto de 1864 teve início a construção da estrada entre Eixo e o local onde viria a ser construída a ponte da Rata, em Eirol. As obras de construção da ponte começaram em Maio de 1865 e ambas as obras foram dadas como concluídas em Outubro de 1866.

Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"

* A ponte da Rata, cujas obras decorreram sob a direcção do engenheiro Silvério Augusto Pereira da Silva (que, em 1858, também fora encarregado da direcção das obras da barra de Aveiro), permitiu ligar os lugares de Eirol, na margem esquerda do rio Águeda, e de Almear, na margem direita.

Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"

* O material utilizado na construção da ponte da Rata foi o grés vermelho de Eirol, vulgarmente conhecido como pedra de Eirol. É curioso notar que, não havendo pedra em Aveiro, toda a que era utilizada na construção vinha de fora, sendo uma das proveniências precisamente as pedreiras de Eirol. Não é de admirar, por isso, que a pedra utilizada na construção da ponte da Rata fosse essa. Durante o séc. XIX, esta pedra foi comumente utilizada, a par de outras, na região de Aveiro, quer na construção de habitações, quer em obras públicas, como as do porto de Aveiro e as do quartel de Cavalaria 10, em 1885.

Fontes: * "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"

* Manuel Ferreira Rodrigues, "A Construção Civil em Aveiro, 1860-1930. Notas para a sua Compreensão Histórica"

* O grés de Eirol é um arenito, isto é, uma rocha sedimentar constituída por areias aglutinadas por um cimento, sendo, por isso, pouco resistente. Essa é, possivelmente, a principal razão que explica a relativa efemeridade da ponte da Rata: pouco mais de 130 anos.


quinta-feira, 25 de junho de 2009

Cemitério central: o primeiro cemitério público de Aveiro

Entrada do cemitério.
Na parte superior do portão pode ler-se: "Municipalidade 1860"
(Foto: Jorge Cunha, 2009)

Portão de entrada do cemitério
(Foto: Jorge Cunha, 2009)

Parte superior do monumento aos liberais aveirenses executados em 1829
(Foto: Jorge Cunha, 2009)

Uma das faces da base do monumento aos "mártires da liberdade", onde figuram os nomes dos seis liberais aveirenses executados
(Foto: Jorge Cunha, 2009)

No centro do cemitério, o monumento aos liberais aveirenses executados em 1829
Ao fundo, a capela
(Foto: Jorge Cunha, 2009)

Lápide no túmulo de José Estêvão Coelho de Magalhães
(Foto: Jorge Cunha, 2009)

Lápide na parede exterior da capela mortuária da família de José Estêvão
(Foto: Jorge Cunha, 2009)


Capela mortuária da família de José Estêvão
(Foto: Jorge Cunha, 2009)


Cornija na parte superior da porta da capela do cemitério, na qual se pode ler a data da sua construção
(Foto: Jorge Cunha, 2009)
Capela do cemitério
Foto: Jorge Cunha, 2009)


Notas à margem

* Por tradição, que se manteve durante séculos, os mortos eram sepultados nas igrejas, em "chão sagrado". Só com o advento do liberalismo e as tentativas de modernização do país foi posta em causa esta tradição. Um primeiro passo foi dado quando, por lei de 21 de Setembro de 1835, durante o governo cartista do Duque de Saldanha, se determinou a construção de cemitérios em campo aberto. Esta medida viria a ser complementada por um decreto de 28 de Setembro de 1844, numa altura em que Costa Cabral era o chefe do governo, proibindo os enterramentos nas igrejas e impondo que os mortos fossem sepultados em cemitérios, depois de o delegado de saúde ter certificado o óbito e de ter sido obtida uma licença sanitária. A lei era, naturalmente, determinada por razões de saúde pública, mas o povo, na sua maioria analfabeto, recebeu com hostilidade estas medidas. Fanatizado, além disso, por um clero ultraconservador e antiliberal, que, em vez de esclarecer as pessoas, falava da proibição de fazer enterramentos nas igrejas como uma medida anti-religiosa inspirada pelo Diabo e pela Maçonaria, revoltou-se em diversas ocasiões e locais. Para além da resistência popular, a aplicação do decreto de Costa Cabral encontrou outra dificuldade de monta: é que, apesar da lei que determinava a construção de cemitérios ser já de Setembro de 1835, a pobreza reinante e a escassez de recursos fez com que, na realidade, poucos fossem construídos. Daí que o decreto de proibição de enterramento nas igrejas tenha sido, ainda por bastante tempo, largamente ignorado. Originou, mesmo assim, manifestações populares de protesto, sobretudo nas zonas rurais mais distantes e sujeitas a maior obscurantismo religioso, como o Alto Minho e Trás-os-Montes. Foi, aliás, um destes episódios de revolta popular, ocorrido nas proximidades de Póvoa de Lanhoso, na Primavera de 1846, a causa próxima da chamada revolta da Maria da Fonte, que depois se estendeu progressivamente a outros pontos do país, até se transformar num verdadeiro movimento insurreccional generalizado.
Fonte: Wikipédia
* Em Aveiro, curiosamente, o primeiro cemitério - o actual cemitério central da cidade - foi construído, embora, ao que parece, em condições bastante precárias, ainda no ano de 1835. Foi utilizada, para isso, parte do terreno que pertencera à cerca do extinto convento dominicano de Nossa Senhora da Misericórdia. O decreto governamental de Maio de 1834, da responsabilidade do então ministro da justiça, Joaquim António de Aguiar (que ficou conhecido como o "Mata Frades") extinguiu, com efeitos imediatos, todas as ordens religiosas masculinas, não podendo as femininas admitir novos membros, até à sua extinção por morte da última religiosa. Por esta razão, em fins de Junho de 1834, todos os frades tinham já deixado o convento de Nossa Senhora da Misericórdia.
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"
* O primeiro cadáver a ser sepultado no novo cemitério, em 12 de Dezembro de 1835, foi o do carpinteiro Francisco de Almeida, que morara na Rua do Espírito Santo (actual Rua de Eça de Queirós). Antes da inumação, o povo amotinou-se e, por vontade da família do defunto, chegou a abrir sepulturas em duas igrejas. Contudo, a autoridade acabou por se impor. Era o primeiro defunto a ser sepultado fora de uma igreja, ainda por cima num cemitério com condições muito precárias e que nem sequer fora benzido. Em 1839, foi construída uma capela no cemitério e só em 10 de Novembro desse ano, com a presença da Câmara Municipal e das autoridades locais, se procedeu à sua bênção.
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"
* Nas décadas seguintes, a Câmara Municipal foi dotando o cemitério de melhores condições. Uma delas foi a colocação de um portão, à entrada, em cuja parte superior se pode ainda hoje ler: "Municipalidade 1860".
* No dia 4 de Novembro de 1862, faleceu em Lisboa, numa casa da Rua de "O Século", José Estêvão Coelho de Magalhães, que, no dia seguinte, foi sepultado nesta cidade. Só em 16 de Maio de 1864 os seus restos mortais foram trazidos para Aveiro, tendo ficado depositados numa capela mortuária mandada construir, no cemitério central, pela sua viúva, Dona Rita de Moura Miranda de Magalhães.
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"
* Em 1865, a Câmara Municipal mandou colocar no centro do cemitério um monumento em memória dos seis liberais aveirenses condenados à morte e executados pelos absolutistas partidários de D. Miguel, por terem participado na revolução liberal de 16 de Maio de 1828. Quatro foram enforcados e decapitados na Praça Nova, no Porto, em 7 de Maio de 1829; outros dois em 9 de Outubro do mesmo ano.
Numa das faces da base do monumento figuram os seus nomes:
7 DE MAIO DE 1829
FRANCISCO MANUEL GRAVITO DA VEIGA E LIMA
MANOEL LUIZ NOGUEIRA
CLEMENTE DE MELLO SOARES DE FREITAS
FRANCISCO SILVÉRIO DE CARVALHO DE MAGALHÃES SERRÃO
9 DE OUTUBRO DE 1829
CLEMENTE DE MORAES SARMENTO
JOÃO HENRIQUES FERREIRA

Noutra face está escrito: MUNICIPALIDADE DE 1865

Numa terceira face da base do monumento pode ainda ler-se a seguinte homenagem:

OS OSSOS AQUI TEM A ALMA NO EMPYREO
SEIS ILLUSTRES VAROENS POR QUEM FREMENTE
A LIBERDADE CHORA ATROZ DELÍRIO
NELLES PUNIU O ESFORÇO INDEPENDENTE
E HEROES OS FEZ CO AS PALMAS DO MARTYRIO
FIQUE SUA LEMBRANÇA ETERNAMENTE
NOS NOSSOS CORAÇOENS NA PÁTRIA E HISTÓRIA
PAZ AOS SEUS RESTOS AOS SEUS NOMES GLÓRIA

* Em 20 de Fevereiro de 1866, foram trasladadas para o cemitério central de Aveiro as cabeças dos «mártires da liberdade», para o monumento mandado erigir pela Câmara Municipal, cujo presidente era então Manuel Firmino de Almeida Maia.
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O Rossio

Canal Central e o Rossio, vendo-se ao fundo a capela de S. João
Fotografia: autor desconhecido (sem data, mas anterior a 1910, ano em que a capela foi demolida)

Canal Central e o Rossio, vendo-se à direita, ao fundo, a capela de S. João
Fotografia: autor desconhecido (sem data, mas anterior a 1910, ano em que a capela foi demolida)

Canal Central e o Rossio, vendo-se ao fundo, à direita, a capela de S. João
Fotografia: autor desconhecido (sem data, mas anterior a 1910, ano em que a capela foi demolida)
Canal Central e o Rossio, vendo-se, ao fundo, a capela de S. João
Fotografia: autor desconhecido (sem data, mas anterior a 1910, ano em que a capela foi demolida)
Vista da cidade por volta de 1877, a partir do Largo Luís Cipriano para o Rossio, que, por esta altura, era ainda uma praia de marinhas de sal. Ao fundo, ao centro, a capela de S. João Baptista. Em primeiro plano, à esquerda, a escola primária do Conde de Ferreira, começada a construir em 1867
Fotografia: reprodução de uma gravura de Pedroso, no nº 2 da revista "Museu Tecnológico", de Ílhavo (Julho de 1877)
Canal Central e o Rossio (à direita, ao fundo, já sem a capela de S. João)
Fotografia: autor desconhecido (sem data)
Canal Central e o Rossio
Fotografia: autor desconhecido (sem data)
Largo do Rossio já sem as marinhas de sal e com as barracas da Feira de Março
Fotografia: autor desconhecido (sem data, mas anterior a 1910, ano em que a capela foi demolida)
Rossio (à esquerda), visto da ponte de S. João
Fotografia: autor desconhecido (sem data)

Notas à margem

* A 2 de Setembro de 1841, pelas dez horas da manhã, foi enforcado, no Rossio, Jerónimo dos Santos Brandão, por alcunha o "Cospe Fora", condenado à morte por sentença de 8 de Março de 1839. A condenação resultou do facto de ter assassinado a golpes de machado, segundo as provas produzidas, um tio, conhecido por "Antoninho das Más Horas", para se apropriar dos seus bens. Parece, todavia, que o autor do crime não foi o infeliz condenado.
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"

* Em 13 de Maio de 1843, a Câmara Municipal de Aveiro deliberou a proibição de «apanhar minhoca, cavando a terra no Rossio».
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"

* A 2 de Julho de 1847, em plena guerra civil da Patuleia, entrou na barra de Aveiro a canhoneira "Maria da Fonte", que, tendo navegado até às Pirâmides, próximo do Rossio, abriu fogo, ao que as tropas leais ao governo do Duque de Saldanha ripostaram. Ao que parece, os «patuleias» acabaram por fugir pelas marinhas. A guerra civil, que durou cerca de oito meses, terminou em 30 de Julho de 1847, com a Convenção de Gramido, após a intervenção de forças militares estrangeiras, ao abrigo da Quádrupla Aliança.
Fontes: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro" - Wikipédia

* A 4 de Maio de 1851, o presidente da Câmara Municipal de Aveiro, António de Sá Barreto d'Eça Figueiredo e Noronha, apresentou pela primeira vez uma proposta no sentido de ser aterrada "a marinha rossia, com vista a dar ao Largo do Rossio uma forma regular, arborizando-o e embelezando-o, podendo, talvez, aforar-se uma tira deste campo para construção de armazéns, ao norte das casas de João de Melo Freitas, com o fim não só de tornar mais regular o dito largo, como também de proporcionar ocasião a novas construções que se tornam necessárias». A proposta viria a ser aprovada pela Câmara, em sessão extraordinária, a 13 de Agosto do mesmo ano. Logo no dia 26 de Agosto, a Câmara iniciou as diligências necessárias à aquisição da referida marinha, junto ao Rossio de S. João, pela qual o seu principal proprietário, Ricardo de Sousa Romão, pretendia receber a quantia de 400.000 réis, a pronto pagamento.
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"

* Em 7 de Janeiro de 1865, o Dr. Bento de Magalhães apresentou, em sessão da Câmara Municipal, um requerimento em que chamava a atenção para a grande carência de casas, principalmente para a classe pobre dos pescadores, "em cujo bairro estão famílias aglomeradas em casas que não comportam um tão grande número de moradores"; e propunha que se alargasse esse bairro, construindo novas casas no terreno, já então municipal, da marinha rossia. A Câmara deliberou, então, que se procedesse ao estudo do terreno e ao traçado das ruas, e que a parte a destinar ao fim proposto no requerimento fosse dada de aforamento em hasta pública, em lotes iguais.
Obs.: O aforamento consiste em ceder, por longo prazo ou em definitivo, o usufruto de uma propriedade, mediante o pagamento de determinada renda.
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"
* A 2 de Junho de 1895, foi inaugurado o "Velódromo do Rossio", acontecimento que despertou grande curiosidade e alegria.
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"

* A secular capela de S. João Baptista, que ficava no Largo do Rossio, começou a ser demolida em 3 de Novembro de 1910, por decisão tomada dias antes pela Comissão Paroquial da Vera Cruz, que fora nomeada após a implantação da República.
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"

* No dia 1 de Junho de 1928, foi inaugurado no Rossio, ao ar livre, o "Rossio-Cine", que, na sessão de inauguração, exibiu o filme "Dagfin, patinador".
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"

* Em 27 de Fevereiro de 1984, a Câmara Municipal de Aveiro, após concurso público em que foram apresentadas quarenta e três propostas, adjudicou ao arquitecto Hélder Tércio Guimarães o projecto para arranjo dos espaços exteriores do Rossio.
Fonte: "Aveiro e Cultura. Calendário Histórico de Aveiro"

sábado, 4 de outubro de 2008

A estação do caminho de ferro

Estação do caminho de ferro de Aveiro
Fotografia: autor desconhecido (sem data)
Obs.: apesar de a fotografia não estar datada, é possível que seja de cerca de 1920, seguramente anterior à passagem do Dr. Álvaro Sampaio pela presidência da Câmara (1944-1957), uma vez que foi neste período que a Avenida Dr. Lourenço Peixinho recebeu diversos melhoramentos, nomeadamente a pavimentação com cubos de granito. Nesta fotografia, como é possível ver, o Largo da Estação não está ainda pavimentado.

Estação do caminho de ferro de Aveiro (fachada principal, do lado poente, voltada para a Avenida Dr. Lourenço Peixinho). Ao fundo, parte da estação nova
Fotografia: Jorge Cunha (2008)

Nova estação do caminho de ferro (lado nascente)
Fotografia: Jorge Cunha (2008)

Avenida Central (mais tarde Dr. Lourenço Peixinho) e Rua Almirante Cândido dos Reis, vistas do Largo da Estação
Fotografia: autor desconhecido (sem data)
Obs.: a fotografia, no entanto, é seguramente posterior a 1927, data da construção do Hotel Avenida (a meio, na fotografia)

Rua Almirante Cândido dos Reis vista do Largo da Estação
Fotografia: Jorge Cunha (2008)

Notas à margem

* O caminho de ferro foi inaugurado em Aveiro a 10 de Abril de 1864, era então presidente da Câmara Manuel Firmino. No ano anterior, a 18 de Julho, uma locomotiva, vinda do Porto, atravessava pela primeira vez a ponte de Esgueira, mas a demora no aterro do vale do Cojo, na saída para sul (por trás da antiga fábrica Jerónimo Pereira Campos), fez com que só em 10 de Abril de 1864 fosse inaugurado o troço que vai desta cidade a Taveiro (Coimbra). Note-se que o projecto inicial (de 1856) de ligação ferroviária entre Lisboa e Porto não previa a passagem por Aveiro. Só o interesse e insistência de José Estêvão conseguiram a alteração desse projecto inicial, fazendo com que a Linha do Norte viesse a passar por esta cidade.

* Na altura da inauguração (1864), não havia casa da estação, mas simplesmente "a gare", um pequeno e modesto edifício que, pelos inícios do séc. XX, se começou a mostrar insuficiente em resultado do crescente movimento ferroviário. A sua transformação e ampliação decorreu em 1915. No ano seguinte, à semelhança do que estava a acontecer em muitas outras estações ferroviárias do país, a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses (antecessora da CP), procedeu a obras de qualificação do edifício através da decoração com painéis de azulejo, passando então a apresentar o aspecto que tem actualmente.

* Os painéis de azulejo (existentes em todas as fachadas e nos sanitários, e alusivos a paisagens, personalidades, motivos etnográficos e monumentais da região de Aveiro e de outros pontos do país), da autoria de Licínio Pinto e Francisco Pereira, são da antiga Fábrica da Fonte Nova, em Aveiro (fundada em 1882, no Cais da Fonte Nova, e desaparecida em 1937 na sequência de um violento incêndio). Recentemente foram colocados três novos painéis: um em 1986, por ocasião do 75º aniversário do ramal do Vale do Vouga entre Albergaria-a-Velha e Aveiro (inaugurado em 1911), assinado por Breda, da fábrica (?) Viçorzette, de Águeda; e dois outros em 2000, aquando da remodelação das instalações sanitárias da estação, da fábrica Artecer, de Vila Nova de Gaia, cujo autor é F. Lista.
* Uma questão curiosa relacionada com a estação do caminho de ferro foi a da sua ligação à cidade, uma vez que ficava bastante afastada desta. Na verdade, quando o caminho de ferro estava prestes a chegar a Aveiro, não existia uma ligação directa ao centro urbano. Daí que, em reunião da Câmara realizada em 23/05/1863, se tenha discutido a urgência de uma rua de ligação mais fácil entre a estação e a cidade, rua essa que veio a ser a actual Almirante Cândido dos Reis. Quanto à Avenida Dr. Lourenço Peixinho (inicialmente chamada Avenida Central), só começou a ser aberta em Junho de 1918.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A avenida Dr. Lourenço Peixinho

1918-1921

Abertura da Avenida Central, a que seria dado, mais tarde (1952), o nome do Dr. Lourenço Peixinho. Ao fundo, as Pontes; à direita, a Avenida Dr. Bento de Moura (parte da qual, das Pontes para Nascente, corresponde à actual Rua de Viana do Castelo)


1918-1921

Abertura da Avenida Central. À direita, a Companhia Aveirense de Moagens, onde esteve mais tarde instalada a Capitania do Porto de Aveiro; ao centro, edifícios que foram demolidos para abertura da Avenida Central; entre estes e o edifício da Companhia Aveirense de Moagens, é ainda visível, ao fundo, em último plano, a estação do caminho de ferro; à esquerda, a Avenida Dr. Bento de Moura



1918-1921
Trabalhos durante a abertura da Avenida Central


1918-1921
Trabalhos durante a abertura da Avenida Central


Abertura da Avenida Central, ligando o cais do Cojo à estação do caminho de ferro. Ao centro, em último plano, a estação do caminho de ferro

(Sem data)


A Avenida Central (mais tarde Dr. Lourenço Peixinho) vista de poente para nascente. Ao centro, em último plano, a estação do caminho de ferro

(Sem data)


A Avenida Central (mais tarde, Dr. Lourenço Peixinho) e a Rua Almirante Cândido dos Reis, vistas do Largo da Estação

(Sem data)


Avenida Dr. Lourenço Peixinho (ao fundo, a estação do caminho de ferro) e passagem subterrânea sob a estação

Fotografia: Jorge Cunha (2008)


Avenida Dr. Lourenço Peixinho junto à estação do caminho de ferro

Fotografia: Jorge Cunha (2008)



A Avenida Dr. Lourenço Peixinho vista do Largo da Estação No topo da placa central da avenida, o monumento ao Dr. Lourenço Peixinho, inaugurado em 1952

Fotografia: Jorge Cunha (2008)


Notas à margem


* A estação do caminho de ferro, na altura em que este chegou a Aveiro (1864), ficava fora da cidade ou quando muito nos seus limites. Daí ter-se sentido, desde o início, a necessidade de um acesso mais directo do centro da urbe à estação. A Rua Almirante Cândido dos Reis, ligando a estação ao quartel de Sá, foi o primeiro passo nesse sentido. Apesar dessa melhoria, já durante o exercício de Jaime de Magalhães Lima como presidente da Câmara (1893-1895), surgiu a ideia da abertura de uma avenida que ligasse o centro urbano (as Pontes, os Arcos) à estação do caminho de ferro. Contudo, a penúria de recursos financeiros impossibilitou a concretização do projecto, que só foi retomado em 1918, após a posse do Dr. Lourenço Peixinho como presidente da Câmara (o que aconteceu em 17 de Janeiro desse ano).


* Com efeito, é ele quem propõe que se dê início à construção, o que vem a verificar-se no dia 3 de Junho desse ano, com foguetes e muita alegria, segundo testemunhos da época. Todavia, a continuada míngua dos recursos camarários, aliada aos processos técnicos rudimentares então utilizados (sobetudo a força dos braços), fez com que a obra se prolongasse por bastantes anos. É de salientar, porque revelador da visão estratégica do Dr. Lourenço Peixinho, o facto de, "ao projectar a expropriação de uma faixa de 30 metros de largura da doca do Cojo à Estação", ter ordenado também "que se expropriassem duas faixas laterais de igualmente 30 metros destinadas à construção" (C. Campos, F. Ferreira e G. A. Faria, Ruas que são gente). Não obstante, só muito lentamente, ao longo de bastantes anos, é que a nova avenida foi sendo povoada de edifícios.

* Segundo o jornal O Povo de Aveiro (9/6/1918), o projecto inicial pretendia que a avenida se prolongasse até ao Rossio, mas a ideia acabou por não se concretizar.


* Outra nota curiosa, reveladora da lentidão com que a avenida (então designada Avenida Central) se foi desenvolvendo, é o facto de só muito mais tarde, durante a presidência do Dr. Álvaro Sampaio (1944-1957), ter sido pavimentada com cubos de granito e recebido saneamento básico.


* Foi também durante o mandato do Dr. Álvaro Sampaio que foi inaugurado (4/5/1952), perto da estação do caminho de ferro, o monumento ao Dr. Lourenço Peixinho, tendo por essa altura a avenida recebido o seu nome.


* O monumento aos Mortos da Grande Guerra, da autoria do escultor José de Sousa Caldas, mandado construir pela Câmara Municipal de Aveiro, e colocado perto do topo poente da avenida, foi inaugurado em 27 de Abril de 1934.


* Em 15 de Agosto de 1943 foi inaugurada, na avenida, num prédio próximo da estação do caminho de ferro, uma estação dos CTT (a primeira - a estação central, na Praça Marquês de Pombal - havia sido inaugurada em 26 de Abril do ano anterior).


* Em 29 de Janeiro de 1949 foi inaugurado o Cine-Teatro Avenida, tendo nesse dia sido exibido o filme "Não há rapazes maus", sobre a vida e a obra do Padre Américo.


* Em 16 de Março de 1958 foram inauguradas, na Avenida Dr. Lourenço Peixinho, num edifício entretanto já demolido (na década de 1990), as novas instalações do Colégio do Sagrado Coração de Maria, em substituição das que existiam na Praça Marquês de Pombal.