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sábado, 4 de outubro de 2008

A estação do caminho de ferro

Estação do caminho de ferro de Aveiro
Fotografia: autor desconhecido (sem data)
Obs.: apesar de a fotografia não estar datada, é possível que seja de cerca de 1920, seguramente anterior à passagem do Dr. Álvaro Sampaio pela presidência da Câmara (1944-1957), uma vez que foi neste período que a Avenida Dr. Lourenço Peixinho recebeu diversos melhoramentos, nomeadamente a pavimentação com cubos de granito. Nesta fotografia, como é possível ver, o Largo da Estação não está ainda pavimentado.

Estação do caminho de ferro de Aveiro (fachada principal, do lado poente, voltada para a Avenida Dr. Lourenço Peixinho). Ao fundo, parte da estação nova
Fotografia: Jorge Cunha (2008)

Nova estação do caminho de ferro (lado nascente)
Fotografia: Jorge Cunha (2008)

Avenida Central (mais tarde Dr. Lourenço Peixinho) e Rua Almirante Cândido dos Reis, vistas do Largo da Estação
Fotografia: autor desconhecido (sem data)
Obs.: a fotografia, no entanto, é seguramente posterior a 1927, data da construção do Hotel Avenida (a meio, na fotografia)

Rua Almirante Cândido dos Reis vista do Largo da Estação
Fotografia: Jorge Cunha (2008)

Notas à margem

* O caminho de ferro foi inaugurado em Aveiro a 10 de Abril de 1864, era então presidente da Câmara Manuel Firmino. No ano anterior, a 18 de Julho, uma locomotiva, vinda do Porto, atravessava pela primeira vez a ponte de Esgueira, mas a demora no aterro do vale do Cojo, na saída para sul (por trás da antiga fábrica Jerónimo Pereira Campos), fez com que só em 10 de Abril de 1864 fosse inaugurado o troço que vai desta cidade a Taveiro (Coimbra). Note-se que o projecto inicial (de 1856) de ligação ferroviária entre Lisboa e Porto não previa a passagem por Aveiro. Só o interesse e insistência de José Estêvão conseguiram a alteração desse projecto inicial, fazendo com que a Linha do Norte viesse a passar por esta cidade.

* Na altura da inauguração (1864), não havia casa da estação, mas simplesmente "a gare", um pequeno e modesto edifício que, pelos inícios do séc. XX, se começou a mostrar insuficiente em resultado do crescente movimento ferroviário. A sua transformação e ampliação decorreu em 1915. No ano seguinte, à semelhança do que estava a acontecer em muitas outras estações ferroviárias do país, a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses (antecessora da CP), procedeu a obras de qualificação do edifício através da decoração com painéis de azulejo, passando então a apresentar o aspecto que tem actualmente.

* Os painéis de azulejo (existentes em todas as fachadas e nos sanitários, e alusivos a paisagens, personalidades, motivos etnográficos e monumentais da região de Aveiro e de outros pontos do país), da autoria de Licínio Pinto e Francisco Pereira, são da antiga Fábrica da Fonte Nova, em Aveiro (fundada em 1882, no Cais da Fonte Nova, e desaparecida em 1937 na sequência de um violento incêndio). Recentemente foram colocados três novos painéis: um em 1986, por ocasião do 75º aniversário do ramal do Vale do Vouga entre Albergaria-a-Velha e Aveiro (inaugurado em 1911), assinado por Breda, da fábrica (?) Viçorzette, de Águeda; e dois outros em 2000, aquando da remodelação das instalações sanitárias da estação, da fábrica Artecer, de Vila Nova de Gaia, cujo autor é F. Lista.
* Uma questão curiosa relacionada com a estação do caminho de ferro foi a da sua ligação à cidade, uma vez que ficava bastante afastada desta. Na verdade, quando o caminho de ferro estava prestes a chegar a Aveiro, não existia uma ligação directa ao centro urbano. Daí que, em reunião da Câmara realizada em 23/05/1863, se tenha discutido a urgência de uma rua de ligação mais fácil entre a estação e a cidade, rua essa que veio a ser a actual Almirante Cândido dos Reis. Quanto à Avenida Dr. Lourenço Peixinho (inicialmente chamada Avenida Central), só começou a ser aberta em Junho de 1918.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A avenida Dr. Lourenço Peixinho

1918-1921

Abertura da Avenida Central, a que seria dado, mais tarde (1952), o nome do Dr. Lourenço Peixinho. Ao fundo, as Pontes; à direita, a Avenida Dr. Bento de Moura (parte da qual, das Pontes para Nascente, corresponde à actual Rua de Viana do Castelo)


1918-1921

Abertura da Avenida Central. À direita, a Companhia Aveirense de Moagens, onde esteve mais tarde instalada a Capitania do Porto de Aveiro; ao centro, edifícios que foram demolidos para abertura da Avenida Central; entre estes e o edifício da Companhia Aveirense de Moagens, é ainda visível, ao fundo, em último plano, a estação do caminho de ferro; à esquerda, a Avenida Dr. Bento de Moura



1918-1921
Trabalhos durante a abertura da Avenida Central


1918-1921
Trabalhos durante a abertura da Avenida Central


Abertura da Avenida Central, ligando o cais do Cojo à estação do caminho de ferro. Ao centro, em último plano, a estação do caminho de ferro

(Sem data)


A Avenida Central (mais tarde Dr. Lourenço Peixinho) vista de poente para nascente. Ao centro, em último plano, a estação do caminho de ferro

(Sem data)


A Avenida Central (mais tarde, Dr. Lourenço Peixinho) e a Rua Almirante Cândido dos Reis, vistas do Largo da Estação

(Sem data)


Avenida Dr. Lourenço Peixinho (ao fundo, a estação do caminho de ferro) e passagem subterrânea sob a estação

Fotografia: Jorge Cunha (2008)


Avenida Dr. Lourenço Peixinho junto à estação do caminho de ferro

Fotografia: Jorge Cunha (2008)



A Avenida Dr. Lourenço Peixinho vista do Largo da Estação No topo da placa central da avenida, o monumento ao Dr. Lourenço Peixinho, inaugurado em 1952

Fotografia: Jorge Cunha (2008)


Notas à margem


* A estação do caminho de ferro, na altura em que este chegou a Aveiro (1864), ficava fora da cidade ou quando muito nos seus limites. Daí ter-se sentido, desde o início, a necessidade de um acesso mais directo do centro da urbe à estação. A Rua Almirante Cândido dos Reis, ligando a estação ao quartel de Sá, foi o primeiro passo nesse sentido. Apesar dessa melhoria, já durante o exercício de Jaime de Magalhães Lima como presidente da Câmara (1893-1895), surgiu a ideia da abertura de uma avenida que ligasse o centro urbano (as Pontes, os Arcos) à estação do caminho de ferro. Contudo, a penúria de recursos financeiros impossibilitou a concretização do projecto, que só foi retomado em 1918, após a posse do Dr. Lourenço Peixinho como presidente da Câmara (o que aconteceu em 17 de Janeiro desse ano).


* Com efeito, é ele quem propõe que se dê início à construção, o que vem a verificar-se no dia 3 de Junho desse ano, com foguetes e muita alegria, segundo testemunhos da época. Todavia, a continuada míngua dos recursos camarários, aliada aos processos técnicos rudimentares então utilizados (sobetudo a força dos braços), fez com que a obra se prolongasse por bastantes anos. É de salientar, porque revelador da visão estratégica do Dr. Lourenço Peixinho, o facto de, "ao projectar a expropriação de uma faixa de 30 metros de largura da doca do Cojo à Estação", ter ordenado também "que se expropriassem duas faixas laterais de igualmente 30 metros destinadas à construção" (C. Campos, F. Ferreira e G. A. Faria, Ruas que são gente). Não obstante, só muito lentamente, ao longo de bastantes anos, é que a nova avenida foi sendo povoada de edifícios.

* Segundo o jornal O Povo de Aveiro (9/6/1918), o projecto inicial pretendia que a avenida se prolongasse até ao Rossio, mas a ideia acabou por não se concretizar.


* Outra nota curiosa, reveladora da lentidão com que a avenida (então designada Avenida Central) se foi desenvolvendo, é o facto de só muito mais tarde, durante a presidência do Dr. Álvaro Sampaio (1944-1957), ter sido pavimentada com cubos de granito e recebido saneamento básico.


* Foi também durante o mandato do Dr. Álvaro Sampaio que foi inaugurado (4/5/1952), perto da estação do caminho de ferro, o monumento ao Dr. Lourenço Peixinho, tendo por essa altura a avenida recebido o seu nome.


* O monumento aos Mortos da Grande Guerra, da autoria do escultor José de Sousa Caldas, mandado construir pela Câmara Municipal de Aveiro, e colocado perto do topo poente da avenida, foi inaugurado em 27 de Abril de 1934.


* Em 15 de Agosto de 1943 foi inaugurada, na avenida, num prédio próximo da estação do caminho de ferro, uma estação dos CTT (a primeira - a estação central, na Praça Marquês de Pombal - havia sido inaugurada em 26 de Abril do ano anterior).


* Em 29 de Janeiro de 1949 foi inaugurado o Cine-Teatro Avenida, tendo nesse dia sido exibido o filme "Não há rapazes maus", sobre a vida e a obra do Padre Américo.


* Em 16 de Março de 1958 foram inauguradas, na Avenida Dr. Lourenço Peixinho, num edifício entretanto já demolido (na década de 1990), as novas instalações do Colégio do Sagrado Coração de Maria, em substituição das que existiam na Praça Marquês de Pombal.