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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A avenida Dr. Lourenço Peixinho

1918-1921

Abertura da Avenida Central, a que seria dado, mais tarde (1952), o nome do Dr. Lourenço Peixinho. Ao fundo, as Pontes; à direita, a Avenida Dr. Bento de Moura (parte da qual, das Pontes para Nascente, corresponde à actual Rua de Viana do Castelo)


1918-1921

Abertura da Avenida Central. À direita, a Companhia Aveirense de Moagens, onde esteve mais tarde instalada a Capitania do Porto de Aveiro; ao centro, edifícios que foram demolidos para abertura da Avenida Central; entre estes e o edifício da Companhia Aveirense de Moagens, é ainda visível, ao fundo, em último plano, a estação do caminho de ferro; à esquerda, a Avenida Dr. Bento de Moura



1918-1921
Trabalhos durante a abertura da Avenida Central


1918-1921
Trabalhos durante a abertura da Avenida Central


Abertura da Avenida Central, ligando o cais do Cojo à estação do caminho de ferro. Ao centro, em último plano, a estação do caminho de ferro

(Sem data)


A Avenida Central (mais tarde Dr. Lourenço Peixinho) vista de poente para nascente. Ao centro, em último plano, a estação do caminho de ferro

(Sem data)


A Avenida Central (mais tarde, Dr. Lourenço Peixinho) e a Rua Almirante Cândido dos Reis, vistas do Largo da Estação

(Sem data)


Avenida Dr. Lourenço Peixinho (ao fundo, a estação do caminho de ferro) e passagem subterrânea sob a estação

Fotografia: Jorge Cunha (2008)


Avenida Dr. Lourenço Peixinho junto à estação do caminho de ferro

Fotografia: Jorge Cunha (2008)



A Avenida Dr. Lourenço Peixinho vista do Largo da Estação No topo da placa central da avenida, o monumento ao Dr. Lourenço Peixinho, inaugurado em 1952

Fotografia: Jorge Cunha (2008)


Notas à margem


* A estação do caminho de ferro, na altura em que este chegou a Aveiro (1864), ficava fora da cidade ou quando muito nos seus limites. Daí ter-se sentido, desde o início, a necessidade de um acesso mais directo do centro da urbe à estação. A Rua Almirante Cândido dos Reis, ligando a estação ao quartel de Sá, foi o primeiro passo nesse sentido. Apesar dessa melhoria, já durante o exercício de Jaime de Magalhães Lima como presidente da Câmara (1893-1895), surgiu a ideia da abertura de uma avenida que ligasse o centro urbano (as Pontes, os Arcos) à estação do caminho de ferro. Contudo, a penúria de recursos financeiros impossibilitou a concretização do projecto, que só foi retomado em 1918, após a posse do Dr. Lourenço Peixinho como presidente da Câmara (o que aconteceu em 17 de Janeiro desse ano).


* Com efeito, é ele quem propõe que se dê início à construção, o que vem a verificar-se no dia 3 de Junho desse ano, com foguetes e muita alegria, segundo testemunhos da época. Todavia, a continuada míngua dos recursos camarários, aliada aos processos técnicos rudimentares então utilizados (sobetudo a força dos braços), fez com que a obra se prolongasse por bastantes anos. É de salientar, porque revelador da visão estratégica do Dr. Lourenço Peixinho, o facto de, "ao projectar a expropriação de uma faixa de 30 metros de largura da doca do Cojo à Estação", ter ordenado também "que se expropriassem duas faixas laterais de igualmente 30 metros destinadas à construção" (C. Campos, F. Ferreira e G. A. Faria, Ruas que são gente). Não obstante, só muito lentamente, ao longo de bastantes anos, é que a nova avenida foi sendo povoada de edifícios.

* Segundo o jornal O Povo de Aveiro (9/6/1918), o projecto inicial pretendia que a avenida se prolongasse até ao Rossio, mas a ideia acabou por não se concretizar.


* Outra nota curiosa, reveladora da lentidão com que a avenida (então designada Avenida Central) se foi desenvolvendo, é o facto de só muito mais tarde, durante a presidência do Dr. Álvaro Sampaio (1944-1957), ter sido pavimentada com cubos de granito e recebido saneamento básico.


* Foi também durante o mandato do Dr. Álvaro Sampaio que foi inaugurado (4/5/1952), perto da estação do caminho de ferro, o monumento ao Dr. Lourenço Peixinho, tendo por essa altura a avenida recebido o seu nome.


* O monumento aos Mortos da Grande Guerra, da autoria do escultor José de Sousa Caldas, mandado construir pela Câmara Municipal de Aveiro, e colocado perto do topo poente da avenida, foi inaugurado em 27 de Abril de 1934.


* Em 15 de Agosto de 1943 foi inaugurada, na avenida, num prédio próximo da estação do caminho de ferro, uma estação dos CTT (a primeira - a estação central, na Praça Marquês de Pombal - havia sido inaugurada em 26 de Abril do ano anterior).


* Em 29 de Janeiro de 1949 foi inaugurado o Cine-Teatro Avenida, tendo nesse dia sido exibido o filme "Não há rapazes maus", sobre a vida e a obra do Padre Américo.


* Em 16 de Março de 1958 foram inauguradas, na Avenida Dr. Lourenço Peixinho, num edifício entretanto já demolido (na década de 1990), as novas instalações do Colégio do Sagrado Coração de Maria, em substituição das que existiam na Praça Marquês de Pombal.



2 comentários:

Rosa disse...

Olá Jorge!
Estava aqui a ajudar a minha filha mais nova numa pesquisa sobre Lourenço Peixinho quando viémos parar a este seu espaço.
Senti logo vontade de o rever...
Quando aparece pela escola?
Não está com medo que a MLR o considere voluntário se fizer uma visitinha, pois não???!!!
Até breve.

Mário Neves disse...

Parabéns pelo trabalho desenvolvido Dr. Todavia, gostaria de deixar aqui a minha tristeza e discordância com a "reforma" que fizeram na estação da CP. Uma incoerência em termos arquitectónicos típica dos políticos insensíveis que estão convencidos de que o betão é que é obra. E saiu isto...