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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Vouga: o Rio Velho e o Rio Novo do Príncipe

Mapa do troço final do Vouga, a partir de Cacia. No seu curso primitivo (rio velho), o Vouga ia desaguar na ria junto ao Bico da Murtosa. Depois da abertura do Rio Novo do Príncipe, a foz passou a ser na Cale do Espinheiro

Zona lagunar junto ao curso do rio velho. Ao fundo, casario da Murtosa
(Jorge Cunha, 2011)

O rio velho na zona lagunar
(Jorge Cunha, 2011)

O rio velho no começo da zona lagunar
(Jorge Cunha, 2011)

O rio velho, pouco depois do seu início
(Jorge Cunha, 2011)

Início do troço do Vouga designado por rio velho desde a abertura do canal do Rio Novo do Príncipe
(Jorge Cunha, 2011)

A ponte nova de Sarrazola, que substituiu a velha ponte do Outeiro
(Jorge Cunha, 2011)

A ponte do Outeiro, em Sarrazola, já desactivada
(Jorge Cunha, 2011)
Lápide alusiva à inauguração da ponte do Outeiro, em Sarrazola
(Jorge Cunha, 2011)

A ponte do Outeiro, em Sarrazola, construída em 1973 e já desactivada
(Jorge Cunha, 2011)
Murçainho (Sarrazola): restos de um muro de suporte (talvez de cerca de 1920) onde existiu um embarcadouro utilizado pelos barcos que, em tempos idos, subiam e desciam o Vouga com mercadorias. É visível a utilização do grés vermelho de Eirol
(Jorge Cunha, 2011)

A partir do sítio do Murçainho (Sarrazola), o Vouga passa a ter dois cursos: o Rio Novo do Príncipe (para a esquerda, na foto) e o rio velho (em frente)
(Jorge Cunha, 2011)

O Vouga no sítio do Murçainho (Sarrazola).
Em frente, o Rio Novo do Príncipe, para a direita o rio velho
(Jorge Cunha, 2011)

O Vouga no sítio do Murçainho (Sarrazola). Ao fundo, a ponte velha e a ponte nova de Sarrazola
(Jorge Cunha, 2011)

O Rio Novo do Príncipe a jusante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

O Rio Novo do Príncipe a jusante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

O Rio Novo do Príncipe a jusante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

O Rio Novo do Príncipe a jusante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

O rio Novo do Príncipe a jusante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

O Rio Novo do Príncipe a jusante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

O Rio Novo do Príncipe a montante da ponte de Vilarinho
(Jorge Cunha, 2011)

Prova de shell de oito na pista náutica do Rio Novo do Príncipe
(Autor desconhecido. Sem data, mas talvez da década de 1950)


Notas à margem

* O chamado Rio Novo do Príncipe, troço final do curso do rio Vouga, é um canal artificial que veio substituir o curso primitivo do rio. Começa no sítio do Murçainho, em Sarrazola, freguesia de Cacia, e termina na Cale do Espinheiro, na ria de Aveiro.
* O nome de Rio Novo do Príncipe tem duas razões: "rio novo" porque, naturalmente, se trata de um curso novo para o Vouga na sua parte final; "do príncipe" porque a abertura do canal se ficou a dever ao então príncipe regente D. João, futuro D. João VI.

* O facto de se falar de um "rio novo" pressupõe, como é evidente, a existência de um "rio velho", que era o curso primitivo do Vouga, mais estreito e sinuoso, a partir do sítio do Murçainho, em Sarrazola, até perto do Bico da Murtosa, onde era, antigamente, a foz.

* Segundo refere Bartolomeu Conde no seu opúsculo "O Rio Novo do Príncipe. Causas e Vantagens da sua Construção em 1815", o canal tem uma extensão aproximada de cinco quilómetros. Tem, no seu início, uma largura de sessenta e dois metros, que se mantém por uns três quilómetros, praticamente sempre em linha recta, estreitando depois um pouco, até desembocar na Cale do Espinheiro, onde apresenta uma largura de cerca de cento e vinte metros. É aqui, desde a construção do canal, a foz do rio Vouga.

* A abertura do canal do Rio Novo do Príncipe foi iniciada em 1813 e concluída em Dezembro de 1815. A direcção das obras esteve a cargo do engenheiro militar Luís Gomes de Carvalho, que foi também o principal responsável pelas obras de abertura da barra nova de Aveiro, terminadas em 1808. Na abertura do canal foi gasta a importância de 12.468$604 réis.

* A abertura do Rio Novo do Príncipe (1815) é, pois, pouco posterior à abertura da barra nova de Aveiro (1808). Ambas as obras, decididas pelo futuro D. João VI com base em pedidos e reclamações feitos quer pelas populações, quer por autoridades locais, tiveram como objectivos essenciais tornar as áreas vizinhas da zona lagunar menos insalubres e desenvolver as actividades produtivas e económicas locais, fortemente afectadas pelo fechamento cíclico da barra e pela acumulação das águas do Vouga, sobretudo em épocas de caudais mais fortes, o que transformava toda a zona lagunar num autêntico "charco".

* A abertura da barra nova, só por si, trouxe grandes benefícios não só à cidade de Aveiro, mas também a toda a zona lagunar, em virtude de ter feito baixar o nível da água da laguna e de ter posto fim à sua estagnação. Apesar disso, as terras do Baixo Vouga continuavam frequentemente sujeitas a inundações pelo facto de o leito do Vouga, na sua parte final (o hoje chamado rio velho), ser estreito e sinuoso, não dando vazão aos caudais de maior dimensão. Daí o ter-se sentido a necessidade de criar um canal artificial que permitisse um mais rápido e fácil escoamento das águas do Vouga. Assim nasceu o Rio Novo do Príncipe.

* Na década de 1940, as equipas de remo do Clube dos Galitos começaram a ganhar projecção nacional e internacional, tendo, inclusivamente, a equipa de "shell de oito" representado Portugal nos XIV Jogos Olímpicos, na Grã-Bretanha, tendo chegado às meias-finais, onde foi derrotada pela Noruega. Este período áureo do remo dos Galitos veio a ter influência decisiva na concretização de uma aspiração dos aveirenses: a criação de uma pista náutica, o que veio a suceder no início da década de 1950, quando o Rio Novo do Príncipe foi dotado de uma pista náutica, tendo-se aí disputado, em 25 e 26 de Julho de 1953, os Campeonatos Nacionais de Remo.

5 comentários:

Anónimo disse...

Gostei de ver, parabéns. Mário Silva

Vasco Tinoco disse...

é muito giro

Anónimo disse...

Muito bonito. Eu nasci em Sarrazola e apeasr de ter saído de lá quando tinha 2 anos, continuo a gostar da terrinha.

Anónimo disse...

Um retrato da minha zona por um dos professores que mais marcou a minha infãncia. Obrigado pelas suas aulas divertidas e pelo cultivo da leitura que ainda se mantém bem forte em mim volvidos 25 anos. Obrigado professor

Luis Coutinho disse...

Eu assisti aqui a várias provas na década de 50.

Os meus tios viviam em Cacia e embora não sendo de lá adoravam o remo.

Atravessávamos o rio na zona de Sarrasola(?)nos barcos de borda baixa típicos do Vouga e comíamos o farnel na margem assistindo às provas.Curiosamente não encontrei nos arquivos do meu pai nenhuma fotografia e tenho pena.